O que meu filho vai ouvir?

Eu tenho certa implicância com as bandas que estão fazendo sucesso hoje, isso eu acho que já deu pra perceber. Não gosto do som, porque eu acho pobre, sem pegada, sem força, sem uma certa agressividade que o rock pede. Não gosto do visual, aliás, tudo muito hype, moderninho, é muita preocupação com o cabelo e com as roupas da moda e pouca preocupação com a música, usam tatuagem como moda e não como expressão de contestação. Não gosto do público, uma galera alienada, que em sua maioria não entende de música, que vai no Black Sabbath porque quer postar no facebook que estava lá, mas só conhece Paranoid (ou nem isso!!! E nem viu o puta show que o Megadeth fez na abertura). Mas infelizmente são essas bandas que meus filhos – que ainda nem estão nos planos – irão escutar.

Levando-se em consideração que as bandas dos anos 70 já estão todos sexagenários ou mais, que Bon Jovi tem 52 anos e Eddie Vedder (Pearl Jam) tem 50, acho que o Foo Fighters e o Slipknot provavelmente serão as últimas bandas de rock a levarem a bandeira do show de rock de verdade. Sem frescura, sem querer tem uma relevância dispensável, com volume máximo, guitarra com distorção e berros no microfone. Mas é muito pouco pra segurar a bronca em festivais pelo mundo, MUITO POUCO!

Os grandes shows de rock estarão apenas disponíveis em DVDs, Blue-Rays e afins como registro de uma época que está ficando para trás. Quem tem a oportunidade de assistir as grandes bandas ao vivo tem o dever moral de comparecer. Mesmo que o Gillan (Deep Purple) esteja cantando mal, mesmo que o Coverdale (Whitesnake) tenha mexido muito no tom das músicas para caber na sua atual voz, e mesmo que o Lemmy tenha colocado o pé no freio nas apresentações (Motorhead), temos que comparecer e testemunhar “in loco” o fim da melhor era do rock. Porque depois meu amigo, só no DVD.

A cena nova, com Black Keys, Franz Ferdinand, Killers, Artick Monkeys e afins estará na ativa por muito tempo, o que de certa forma é bom. Acho muito melhor uma criança ouvir Kings Of Leon do que Anita, Mumuzinho e Gusttavo Lima . A produção de música no Brasil hoje é escandalosamente ruim. Nosso mainstream é feito por descartáveis que serão lembrados daqui 10 anos como one-hit-wonder, ou artistas de uma música só, assim como a Luka (lembra da música “Tô Nem Aí”?) e outros milhares de sem-talento que ficaram para trás, graças a Deus! No Brasil, a bola da vez no rock nacional parece ser a banda Malta, que ganhou aquele programa Superstar na Globo. Para quem não assistiu, o programa até tinha boas bandas, mas eu sentia vergonha alheia quando os “jurados” abriam a boca. Sério, eu mudava de canal enquanto Dinho Ouro Preto, Ivete Sangalo e Fábio Jr falavam.

Eu sei que o rabugento sou eu, mas o que eu posso fazer se eu acho isso tudo muito ruim? Tomara que a Malta me surpreenda, porque o que parece é ser uma cópia muito mal feita de uma banda ruim, que é o Nickelback. Mas tem minha boa vontade e coloco umas fichas neles para, quem sabe, criarem uma carreira legal no mainstream. Que durem até meus filhos nascerem…

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Onde é que está o meu rock and roll?

Eu sou um consumidor de música, compro músicas soltas e álbuns completos no iTunes, ainda compro CDs (!!!), e confesso que também baixo muita coisa nos torrents da vida. Adoro ir a sessão de CDs nas grandes lojas como a FNAC, Saraiva e Livraria Cultura e ficar garimpando e xeretando em novidades e ouvindo bandas que nunca ouvi na vida. E eu tinha o hábito de frequentar a famosa Galeria do Rock no Centro de São Paulo. Tinha, porque é triste o que ela se tornou.

Eu nasci em 1981 e comecei a frequentar a Galeria com 15 anos, a época de brigas de gangues entre os “metaleiros” e os “punks” dentro e fora das lojas já havia passado há tempos. Mas certa vez eu estava circulando por lá com um amigo, ambos com camisetas do Sex Pistols, quando dois indivíduos devidamente trajados como verdadeiros guardiões do heavy metal, usando roupa de couro, cinto com tachinhas e todos os penduricalhos característicos, incluindo aí o suor e os cabelos grandes e ensebados, vieram me empurrando, dizendo que dois punks haviam batido no primo deles e sei lá mais o que. Devolvi o empurrão, mandei ele para um lugar bem distante utilizando um palavrão e acabou ali a confusão. Isso era algo próximo a 1998 e a meninada ainda tentava “defender” seu estilo musical dentro da Galeria, mesmo que forma babaca como os dois citados.

Na Galeria havia um ditado que dizia o seguinte: não importa o quanto você pesquisar o preço de um CD, assim que você comprar e entrar na próxima loja ele sempre estará mais barato. Então, para os viciados em música como eu, era um ótimo passatempo pesquisar o preço do seu disco favorito e garimpar pechinchas nas sessões de “usados” ou “semi-novos”. Muitos dos meus CDs foram comprados lá dessa maneira, pesquisando muito e aproveitando as pechinchas.

Faz pouquíssimo tempo e fui a Galeria num sábado com outro amigo para comprar ingressos para um show. Saí de lá deprimido, triste e pensando mais sobre quais os próximos passos para o consumo de música. Quase não existem mais lojas de MÚSICA, proliferaram-se as lojas de roupa de skate e tatuadores, e como diria Arnaldo Baptista “onde é que está meu rock and roll?”. O público era 90% de uma molecada que usa camiseta dos Ramones, mas nem sabem uma música deles, SOCORRO!!!

Eu entendo que a pirataria ferrou com as gravadoras e com a venda de CDs, o consumo mudou e o antiquado – ou burro – sou eu, mas eu não consigo entender como um espaço como a Galeria do Rock se tornou um lugar que sobrevive da moda e não mais da música. Será que a Prefeitura não pode fazer alguma coisa, afinal é um ponto turístico da cidade, assim como a rua 25 de Março.

VAMOS SALVAR A GALERIA DO ROCK!

Guarde dinheiro…

Pois é meus amigos, o ano está terminando e para quem curte boa música não foi um ano recheado de shows grandes, exceções feitas a Alice In Chains, Soundgarden, Megadeth e Paul McCartney. Eu me recuso a colocar no patamar de bandas grandes caras como John Mayer, Kings of Leon, Muse e afins. Não gosto, acho fraco, sem inspiração, sem testosterona, sem apelo comercial, entre outras críticas, mas não estou aqui para falar dessas bandas, estou aqui para falar de coisa boa, pois a previsão para o ano que vem é ótima e de altos gastos para quem for acompanhar “in loco” tudo o que vai rolar.

No início do ano já tem show do eterno beatle Ringo Starr e também do Foo Fighters. Semana passada foi confirmada a volta do festival Monsters Of Rock e muito provavelmente teremos o show do Kiss encerrando uma das noites. Ainda no primeiro semestre haverá o Lollapalooza, festival que tem uma temática moderninha (que me desagrada), mas terá encerrando uma das noites a apresentação do tiranossauro Robert Plant. E há a forte especulação dos Rolling Stones no novo estádio do Palmeiras em Fevereiro.

No segundo semestre haverá o Rock In Rio, que apesar de ainda não ter confirmado nenhum headliner que faça a galera suspirar, sempre oferece pelo menos duas noites do bom e velho rock and roll. As especulações giram em torno das bandas que estarão em turnê ano que vem, como AC/DC, Iron Maiden, Motorhead. Roberto Medina, idealizador e produtor musical do Rock In Rio costuma não decepcionar na escolha dos shows que agradam a turma do rock. Paul McCartney encerrando uma das noites do Rock In Rio também não pode ser descartado, já que o beatle carismático tem visitado bastante a terra tupiniquim nos últimos anos.

O único problema, se assim podemos dizer, para quem gosta de frequentar shows é o preço dos ingressos, que tem se inflacionado muito. Mas é a lei da oferta/procura, enquanto essas apresentações forem raras por aqui, cada show terá preços exorbitantes, porque a galera do rock consome mesmo, compra tudo, compra área VIP, compra Meet & Greet, compra merchandising oficial a preços inescrupulosos, e tudo mais a que tem direito, porque sabe que o show é bom e nunca se sabe quantos anos vão se passar até a próxima oportunidade.

Então é preparar o espírito rock and roll e o bolso, porque 2015 tem tudo pra ser um ano inesquecível pros amantes da boa música!

Uma ideia para o rock nacional

Outro dia, conversando com um amigo, lembramos do Big 4 do heavy metal (reunião das bandas Anthrax, Slayer, Megadeth e Metallica), que quando se reúnem fazem um barulho tremendo, tanto nas apresentações quanto na mídia. Cobram cachês altíssimos, encabeçam os maiores festivais do planeta e lotam estádios. Porque não acontecem iniciativas como essas no rock nacional?

Bandas ativas como Titãs e Paralamas fizeram shows em conjunto não muito tempo atrás, porém iniciativas de turnês de bandas reunidas é coisa rara por essas terras. Acredito que há demanda para isso, tendo em vista que as últimas bandas que apareceram, como a Fresno, Cine, Restart, CPM22 e afins, sumiram do mapa – graças a Deus!

A cena rock do Brasil está novamente no marasmo, exceto pelo ótimo disco lançado esse ano pelos Titãs, o nervoso Nheengatu. Uma turnê com bandas brasileiras reunidas, passando pelas principais capitais do Brasil, fazendo shows em arenas para 20 mil pessoas, encabeçando uma das noites do Rock In Rio, faria muito bem para quem vive de música, para os empresários, promotores, para a cena musical e para os fãs!

São muitas opções para a montagem dessa turnê, encabeçada por Titãs e Paralamas, e existem várias bandas que agregariam mais público a esse evento. Acho o Capital Inicial, pela longevidade e renovação de público seria a terceira banda para encabeçar o festival. A quarta banda poderia ser rotativa, sendo substituída conforme a turnê, cidade ou qualquer outro critério.

Tenho certeza que várias bandas aceitariam participar dessa celebração, tais como o recém reformado Ira!, Ultraje A Rigor, RPM, Biquíni Cavadão, Nenhum de Nós, Plebe Rude. Ou também poderiam ser convidadas bandas mais recentes como Skank, O Rappa, Planet Hemp. O Barão Vermelho e os Engenheiros do Hawaii poderiam regressar novamente para participar dos shows.

Eu tenho certeza que lotariam todas as arenas do Brasil, em alguns lugares acredito que até estádios seriam usados para essas apresentações. O rock nacional precisa de uma sacudida e esse tipo de promoção traria novamente a mídia a favor das bandas.

Ou estou viajando?

Porque tanto interesse nos dinossauros?

Recentemente o Pink Floyd lançou um disco depois de 20 anos sem gravar, ocasionando na maior pré-venda da história do iTunes. Essa semana foi a vez do AC/DC lançar mais um álbum e ter novamente toda a mídia a seus pés. Axl Rose dá sinais de que o sucessor de Chinese Democracy, seu último álbum, está no forno e causa rebuliço nos fãs. Mas porque tanto interesse nesses dinossauros? Não é sabido e esperado que não haverá nada de revolucionário nesses lançamentos? Mas a resposta é simples: garantia de qualidade!

Os dinossauros conquistaram seu espaço através de muito suor, criatividade e ótima divulgação, mas também fizeram parte de uma geração que fazia música de maneira diferente. Em todas as épocas sempre existiram as bandas boas e as bandas ruins, mas o julgamento sobre a qualidade musical era feito através da audição do álbum inteiro, tentando entende-lo como uma obra única, com uma mensagem que deve ser transmitida, que foi a razão da gravação do disco.

Mesmo sem intenção, até meados dos anos 90, os álbuns lançados retratavam o momento da banda na hora da gravação, suas novas influências, novas tecnologias. Mas essas percepções somente ficam claras quando você ouve o álbum inteiro, compara com o lançamento anterior da mesma banda, compara com os lançamentos de bandas contemporâneas.

Hoje o consumo de música é completamente diferente, em épocas de torrents e 4shareds da vida, em época de consumo desenfreado, eu pergunto quem é que tem tempo para ouvir um álbum inteiro hoje em dia? Pegar um cd, colocar no aparelho, curtir o encarte e embarcar na viagem proposta pela banda é um programa que quase não faz parte de quem nasceu depois de 1990 e absolutamente inexistente em nascidos depois de 2000.

É por isso que os novos álbuns dos dinossauros ainda chamam a atenção, porque eles propõem algo que as bandas novas se esqueceram (ou não sabem) como se faz, que é criar um álbum pra ser ouvido inteiro, de maneira antiga. Fora isso, fica sempre a expectativa de haver turnê de divulgação, o que sempre é bacana, especialmente quando há shows aqui no Brasil.

E vou ser sincero, o pior disco da maioria dos dinossauros é melhor do que o melhor disco dessa molecada nova, pronto, falei!

Dinheiro: Dado, Bonfá e a família do Renato Russo

O ser humano é um bicho ganancioso por natureza, isso está no nosso DNA. Uns são menos, outros são mais, mas essa característica não pode ser negada.  O problema é quando essa ganância é abusiva e fora do controle. É o que parece que move os proprietários da marca Legião Urbana, uma ganância por dinheiro que parece ser infinta.

Não vou entrar aqui no mérito sobre quem deve manter os direitos do uso da marca, pois essa briga entre os ex-integrantes Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá com o filho do falecido Renato Russo, Giuliano Manfredini, está nos tribunais e longe de um final. O que eu contesto são os discos lançados após a morte do vocalista. Qual a motivação em tantos lançamentos de qualidade duvidosa? Só pode ser para arrecadar mais e mais dinheiro.

“Acústico MTV”, “Como É Que Se Diz Eu Te Amo”, “As Quatro Estações Ao Vivo”, “Renato Russo – Uma Celebração Ao Vivo”, “Tributo A Legião Urbana no Rock In Rio”, “Legião Urbana e Paralamas Juntos”. Todos os discos são gravações ao vivo que foram tiradas do fundo do baú ou que foram feitas como tributos de quinta categoria para arrecadar mais grana dos fãs. Fora o disco “Uma Outra Estação”, que foi feito com as sobras de estúdio do disco “A Tempestade Ou O Livro Dos Dias”.

Renato Russo deixou um legado de poesia, contestação, sinceridade e coerência em suas gravações, porém, depois de morto, parece que seus herdeiros e ex-companheiros resolveram capitalizar mais com as gravações restantes do que com os seus respectivos talentos. Dado lançou dois discos e Bonfá lançou um, porém todos os discos tem cara de comida requentada, mostrando que apenas acompanhavam o talento de Renato.

Um exemplo do que poderia ter sido feito pelos ex-integrantes e pelo filho de Renato é o tratamento dado para o espólio do Nirvana. Ambos ex-integrantes nunca toparam qualquer show-reunião em homenagem ao Nirvana, nem discos tributos, nem ficam “raspando o tacho” do baú da banda. Os dois discos póstumos já estavam prontos para serem lançados, apenas esperando o final da turnê In Utero.

Se a história da banda já foi contada, porque ficar mexendo no baú? Apenas para levantas mais alguns trocados? Legionários, por favor, deixem Renato descansar em paz…

A sombra do Nirvana e um braço por um disco de qualidade

Estava ouvindo mais uma vez o play Dirt, do Alice In Chains e pensando nos motivos que não fizeram deles uma banda do tamanho, ou até maior, do que foi o Nirvana (isso somente para ficar na comparação com a cena que chamaram de Grunge). O sucesso do Nirvana ao mesmo tempo em que fez o mundo olhar para a cena de Seattle, ajudou e atrapalhou ao mesmo tempo os colegas das outras bandas. Digo isso, pois ajudou na medida em que com a explosão Nirvana/MTV as outras bandas começaram a ter mais espaço para mostrar seu talento. Com isso, bandas como Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains  conseguiram sair de suas fronteiras e participar dos maiores festivais do planeta. Mas a parte ruim foi a comparação de TODAS as bandas com o Nirvana e com seu multiplatinado disco Nevermind, o que foi obviamente uma injustiça, tendo em vista que as outras bandas tinham estilos e influências completamente diferentes, tendo apenas em comum a cidade em que estavam tocando.

A superexposição do Nirvana, somada a comparação com seu disco de maior sucesso e posteriormente a trágica morte de seu líder, acabou por fazer as outras bandas ficarem num injusto segundo escalão, de onde apenas o Pearl Jam conseguiu sobreviver ileso, apesar dos discos fracos e sem inspiração que só foram piorando com o passar dos anos. O Soundgarden, fez discos ótimos, como o Superunknow, mas implodiu devido também ao gênio forte de Chris Cornell, que tem força criativa e poderio vocal proporcional à sua inabilidade de compartilhar decisões – Tom Morello e a turma do Audioslave que o digam! Já o Alice In Chains, que fez discos perfeitos como Facelift e Dirt, também conviveu com o vício de seu vocalista e letrista Layne Stanley, seu isolamento e infelizmente sua morte.

Me pego pensando sobre justiça e talento dessas bandas e sobre tudo o que acabou acontecendo com elas sob a sombra do Nirvana. Tendo em vista que o mercado hoje em dia carece demais de discos de rock com a qualidade dos plays citados aqui – imagino que bandas como Interpol e Snow Patrol dariam um braço direito para fazer algo que fosse ao menos próximo destes discos – a boa notícia é que estas bandas ainda estão na ativa, lançando discos, buscando novas alternativas e tentando ainda buscar seu lugar ao sol, agora sem ninguém para lhes fazerem sombra. Dessa vez, não há desculpas, existe público e sede por qualidade.

Let’s rock guys!