A sombra do Nirvana e um braço por um disco de qualidade

Estava ouvindo mais uma vez o play Dirt, do Alice In Chains e pensando nos motivos que não fizeram deles uma banda do tamanho, ou até maior, do que foi o Nirvana (isso somente para ficar na comparação com a cena que chamaram de Grunge). O sucesso do Nirvana ao mesmo tempo em que fez o mundo olhar para a cena de Seattle, ajudou e atrapalhou ao mesmo tempo os colegas das outras bandas. Digo isso, pois ajudou na medida em que com a explosão Nirvana/MTV as outras bandas começaram a ter mais espaço para mostrar seu talento. Com isso, bandas como Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains  conseguiram sair de suas fronteiras e participar dos maiores festivais do planeta. Mas a parte ruim foi a comparação de TODAS as bandas com o Nirvana e com seu multiplatinado disco Nevermind, o que foi obviamente uma injustiça, tendo em vista que as outras bandas tinham estilos e influências completamente diferentes, tendo apenas em comum a cidade em que estavam tocando.

A superexposição do Nirvana, somada a comparação com seu disco de maior sucesso e posteriormente a trágica morte de seu líder, acabou por fazer as outras bandas ficarem num injusto segundo escalão, de onde apenas o Pearl Jam conseguiu sobreviver ileso, apesar dos discos fracos e sem inspiração que só foram piorando com o passar dos anos. O Soundgarden, fez discos ótimos, como o Superunknow, mas implodiu devido também ao gênio forte de Chris Cornell, que tem força criativa e poderio vocal proporcional à sua inabilidade de compartilhar decisões – Tom Morello e a turma do Audioslave que o digam! Já o Alice In Chains, que fez discos perfeitos como Facelift e Dirt, também conviveu com o vício de seu vocalista e letrista Layne Stanley, seu isolamento e infelizmente sua morte.

Me pego pensando sobre justiça e talento dessas bandas e sobre tudo o que acabou acontecendo com elas sob a sombra do Nirvana. Tendo em vista que o mercado hoje em dia carece demais de discos de rock com a qualidade dos plays citados aqui – imagino que bandas como Interpol e Snow Patrol dariam um braço direito para fazer algo que fosse ao menos próximo destes discos – a boa notícia é que estas bandas ainda estão na ativa, lançando discos, buscando novas alternativas e tentando ainda buscar seu lugar ao sol, agora sem ninguém para lhes fazerem sombra. Dessa vez, não há desculpas, existe público e sede por qualidade.

Let’s rock guys!

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