Onde é que está o meu rock and roll?

Eu sou um consumidor de música, compro músicas soltas e álbuns completos no iTunes, ainda compro CDs (!!!), e confesso que também baixo muita coisa nos torrents da vida. Adoro ir a sessão de CDs nas grandes lojas como a FNAC, Saraiva e Livraria Cultura e ficar garimpando e xeretando em novidades e ouvindo bandas que nunca ouvi na vida. E eu tinha o hábito de frequentar a famosa Galeria do Rock no Centro de São Paulo. Tinha, porque é triste o que ela se tornou.

Eu nasci em 1981 e comecei a frequentar a Galeria com 15 anos, a época de brigas de gangues entre os “metaleiros” e os “punks” dentro e fora das lojas já havia passado há tempos. Mas certa vez eu estava circulando por lá com um amigo, ambos com camisetas do Sex Pistols, quando dois indivíduos devidamente trajados como verdadeiros guardiões do heavy metal, usando roupa de couro, cinto com tachinhas e todos os penduricalhos característicos, incluindo aí o suor e os cabelos grandes e ensebados, vieram me empurrando, dizendo que dois punks haviam batido no primo deles e sei lá mais o que. Devolvi o empurrão, mandei ele para um lugar bem distante utilizando um palavrão e acabou ali a confusão. Isso era algo próximo a 1998 e a meninada ainda tentava “defender” seu estilo musical dentro da Galeria, mesmo que forma babaca como os dois citados.

Na Galeria havia um ditado que dizia o seguinte: não importa o quanto você pesquisar o preço de um CD, assim que você comprar e entrar na próxima loja ele sempre estará mais barato. Então, para os viciados em música como eu, era um ótimo passatempo pesquisar o preço do seu disco favorito e garimpar pechinchas nas sessões de “usados” ou “semi-novos”. Muitos dos meus CDs foram comprados lá dessa maneira, pesquisando muito e aproveitando as pechinchas.

Faz pouquíssimo tempo e fui a Galeria num sábado com outro amigo para comprar ingressos para um show. Saí de lá deprimido, triste e pensando mais sobre quais os próximos passos para o consumo de música. Quase não existem mais lojas de MÚSICA, proliferaram-se as lojas de roupa de skate e tatuadores, e como diria Arnaldo Baptista “onde é que está meu rock and roll?”. O público era 90% de uma molecada que usa camiseta dos Ramones, mas nem sabem uma música deles, SOCORRO!!!

Eu entendo que a pirataria ferrou com as gravadoras e com a venda de CDs, o consumo mudou e o antiquado – ou burro – sou eu, mas eu não consigo entender como um espaço como a Galeria do Rock se tornou um lugar que sobrevive da moda e não mais da música. Será que a Prefeitura não pode fazer alguma coisa, afinal é um ponto turístico da cidade, assim como a rua 25 de Março.

VAMOS SALVAR A GALERIA DO ROCK!

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