Os discos dispensáveis do rock brasileiro

Todo mundo já fez coisas que se envergonha, que fazem seus amigos gargalharem mas que você preferia esquecer, envergonhado, sem orgulho algum de seu feito. Com as bandas brasileiras isso também já aconteceu, lançando discos esquecíveis, sem inspiração, mal produzidos e que não fazem jus às suas discografias. São os discos dispensáveis que os dinossauros do nosso rock brazuca lançaram que eu quero dissecar:

Uma Outra Estação – Legião Urbana: O disco póstumo com as sobras de estúdio do disco “A Tempestade Ou O Livro Dos Dias”, que foi o último disco lançado com Renato Russo vivo é um disco dispensável. Se não, vejamos, por que raios um disco de sobras de outro disco também sofrível, gravado com Renato muito doente, cantando mal, sobre temas como depressão e morte, poderia dar certo? Fica ainda com mais cara de caça-níquel o convite a Renato “Negrete” Rocha para gravar baixo em uma faixa, uma vez que ele foi expulso da banda antes da gravação do disco “As Quatro Estações”. Uma definição para esse disco: ruim!

As Dez Mais – Titãs: Depois do multi premiado “Acústico MTV” e do sucessor “Volume Dois”, os Titãs caíram na tentação de fazer mais um disco de regravações, agora seria um disco de covers de músicas dos contemporâneos dos anos 80. A banda simplesmente resolveu curtir os louros da fama e foi alto indulgente, achando que qualquer coisa que lançassem seria sucesso. Triste engano! O resultado foi o pior disco já gravado por eles, mal produzido, com cara de gravação demo, um repertório mediano, mas com arranjos ruins, e nem a manjadíssima “Aluga-se” de Raul Seixas despertou interesse no disco. A única música digna de nota foi “Circo de Feras”, de uma banda portuguesa chamada “Xutos e Pontapés”, mas no meio de tanta coisa ruim, definitivamente passou despercebida.

Por Que Ultraje A Rigor? – Ultraje A Rigor: Nem mesmo o bom humor de Roger salva o disco menos inspirado da banda. Covers dos anos 60 e 70 foram feitos de forma preguiçosas e pouco disposta. A impressão que ficou é de que qualquer coisa que saísse nas gravações estava bom, não precisava mais ser trabalhada. A inteligência de Roger falhou nesse momento e ele permitiu que viesse ao mundo um disco que não cabe na boa discografia do Ultraje A Rigor.

Aborto Elétrico – Capital Inicial: No início dos anos 2000 virou febre falar sobre o Aborto Elétrico, banda de Brasília que tinha Renato Russo e os irmãos Fê e Flávio Lemos em sua formação. Quando a banda acabou, seu repertório foi dividido entre Legião Urbana e Capital Inicial que o utilizaram em seus primeiros discos. No final dos anos 90 o Capital Inicial as regravou no Acústico MTV e pouco tempo depois as mesmas gravações reaparecem no disco Aborto Elétrico. Preciso explicar mais?

Se você se lembra de mais algum disco ruins das grandes bandas do nosso rock brasileiro, aqui é seu lugar!

Abraço!

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Resenha: Õ Blesq Blom – TITÃS

O melhor álbum dos anos 80 do rock nacional, tanto em produção, criatividade e variedade de estilos, com uma banda no auge técnico de seus músicos e com a produção do “Midas” do rock nacional, Liminha.

Este disco marca o final da fase áurea da banda, que só foi voltar a ganhar prestígio anos depois, com o multiplatinado “Acústico MTV”, um disco de releituras dos clássicos da banda. “Õ Blesq Blow” é uma produção ousada, com o uso do que havia de mais modernos em estúdio, explorando diversas influências e com isso levou o rock brazuca a um nível mais alto de padrão.

Durante a produção do disco, vários artistas foram visitar os TITÃS e ficaram estupefatos tanto com o som que estava sendo criado, como pela forma que a tecnologia estava sendo utilizada pela banda.

O disco começa com a “Introdução por Mauro e Quitéria”, um casal que vivia em Recife cantando melodias pela praia num dialeto inventado por eles, fascinando os TITÃS que gravaram suas “indiomas” (maneira que o casal chamava suas canções próprias) para fazer as músicas iniciais e finais do disco. O casal também caiu na estrada com a banda fazendo parte da turnê de divulgação do disco.

A segunda música é “Miséria”, cheia de teclados e samplers, um semi reggae, com a primeira divisão de vocais da banda: Paulo Miklos e Sérgio Britto cantam. A letra fala das diferenças entre a miséria e o resto que a cerca: “miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes”. Uma das melhores composições dos TITÃS, junto com “Comida” do disco “Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas”.

Na sequencia vem “Rácio Símio”, que era pra ser o nome do disco mas acabou perdendo para “Õ Blesq Blom”. A letra fala de afirmações óbvias, mas que nem sempre são percebidas, como “ninguém joga dominó sozinho” e de antagonismos que se completam como “o anão tem um carro de rodas gigantes”, “os cavalheiros podem jogar damas”, uma sacada genial. A música é conduzida pelo baixo de Nando Reis, pulsante, junto com uma batida sampler, entremeados pelas guitarras e teclados.

A próxima canção é “O Camelo e o Dromedário”, um reggae com pitadas psicodélicas e uma letra que faz a comparação entre os dois animais do título da música. No livro “A Vida Até Parece Uma Festa”, Paulo Miklos disse que as comparações foram feitas sem qualquer tipo de comprovação científica. Nando Reis, certa vez em entrevista para a Folha de SP disse que se trata do maior tiro n’água dos Titãs, pois apostavam que seria um mega hit e música naufragou.

Palavras” é a quarta música do álbum, um rock com uma levada mais ska, sem muita frescura, com uma letra muito criativa que falam sobre as palavras, seus significados e uso. O destaque é bateria direta de Charles Gavin.

A música seguinte é “Medo”, cantada aos gritos por Arnaldo Antunes. Ponto altíssimo do álbum, com uma letra sensacional falando sobre os medos que nos travam em diversos momentos da vida. Um rock rasgado, guiado pelas guitarras de Tony Belloto e Marcelo Fromer. Pra ouvir no volume máximo!

A próxima é “Natureza Morta”, uma introdução de menos de 20 segundos preparando o clima para a melhor música do álbum.

A oitava faixa é “Flores”, o melhor riff de guitarra brasileiro gravado nos anos 80. Seu clipe foi premiado pela MTV como Melhor Clipe do Ano nos EUA. Trata-se de um rock onde guitarra e violão fazem a levada, com Branco Mello cantando as agruras de uma pessoa em seu caixão repleto de flores.

O Pulso” vem na sequencia, mantendo o assunto sobre dores e sofrimentos, mas desta vez falando das doenças do corpo e da mente. A voz de Arnaldo Antunes aqui é o fio condutor deste rock sombrio e minimalista.

A música seguinte é “32 Dentes”, um rock simples e direto que fala sobre não confiar nos adultos. A música tem uma levada country, mas que vai num crescente até se tornar um rock vigoroso, especialmente em seu final.

Seguindo a lista chega a hora de “Faculdade”, cantada por Nando Reis e conduzida pela levada de baixo. A letra tem ótimas sacadas com as palavras que tem vários usos, como utilidade e sociedade, e com palavras que são pedaços de outras palavras.

A última música é “Deus e o Diabo”, mais uma vez como dueto de vozes Miklos/Britto, contando as diferenças entre Deus e o Diabo, segundo a visão titânica. Repleta de samplers, é outro ponto altíssimo do álbum, tendo sido executada exaustivamente nas rádios.

E finaliza o álbum a “Vinheta Final por Mauro e Quitéria”, mais uma “indioma” dos recifenses que encerra o disco mais importante dos anos 80.

Se comparado ao “Cabeça Dinossauro”, disco que alçou os TITÃS ao estrelado, “Õ Blesq Blom” mostra uma banda mais madura, consciente dos recursos de gravação para o disco, disposta a usar a diversidade como arma. É possível se fazer a comparação deste disco com o “Sgt. Peppers” dos BEATLES, pensando nas carreiras das bandas e o que impacto que teve ao seu tempo, pois depois da bolacha brazuca, virou febre o uso de samplers nas gravações seguintes. Isso mostra sua influencia, força e poder e o porquê de ser considerado o melhor álbum de rock nacional dos anos 80.

Uma nota maestro Zezinho!

O que faz uma banda se tornar clássico são diversas características: shows memoráveis, discos revolucionários, seguidores fanáticos, dentre outras. Mas pra mim tem uma coisa que é notável, é quando você está zapeando pelo rádio, para pra ouvir uma música que você não conhece, mas com um único acorde você reconhece a banda. Essa característica está em 100% das bandas chamadas clássicas.

Você não precisa saber que o Pink Floyd (ou o que restou dele) lançou um disco novo, quando você ouvir o solo de Louder Than Words, você saberá imediatamente que é Pink Floyd. O mesmo ocorre com o disco novo (e pouco inspirado) do U2, se você ouvir The Miracle no rádio ou no seu iPhone, vai saber na hora que é a guitarra do The Edge. São exemplos de bandas que possuem guitarristas que têm estilos próprios.

Outras bandas que você identifica a quilômetros de distancia são Black Sabbath e Dire Straits, e elas não possuem quase nada em comum, a não ser o fato de terem igualmente guitarristas geniais, que criaram novos estilos que são imitados por muita gente. São bandas totalmente distintas, de públicos diferentes, mas afirmo que ambos o fã de Black Sabbath reconhece com apenas um acorde o som da outra banda, e vice-versa. Em minha opinião, isso as transformaram em clássicos da música.

O mesmo acontece com Eric Clapton, Ramones, Queen, Iron Maiden e Guns N’Roses entre outros. Todos possuem estilos diferentes entre si, mas com a característica de ser reconhecido por todos os amantes de música com pouquíssimos segundos de qualquer uma de suas canções. No Brasil, os Paralamas do Sucesso, Ira!, Titãs, Chico Science e a Nação Zumbi, Skank, Legião Urbana e Charlie Brown Jr, dentre poucas outras, também possuem essa característica, até por isso são chamadas de clássicas no rock nacional.

Você pode não gostar do estilo das bandas que eu citei, pode até discordar de algum nome, mas não pode negar que são bandas que você identifica de longe, quando toca no rádio e você não conhece a música, em segundos você imagina “isso só pode ser a banda X”. Por isso são clássicos!

A verdadeira rivalidade do rock e o mais famoso “pra mim, já deu!” da história

As duas maiores instituições da música inglesa, por seu tamanho e sua história, sempre foram colocadas como rivais desde os anos 60 e falar de Beatles versus Rolling Stones é certeza de audiência/cliques em qualquer matéria publicada. Mas definitivamente os Stones nunca foram rivais verdadeiros dos Beatles, na verdade eram como amigos de colégio que se formaram juntos, mas que o tempo e a distancia os afastaram, mas a amizade de certa forma sempre permaneceu.

Se você duvida da amizade entre eles, basta lembrar são dos Beatles o primeiro single dos Stones: I Wanna Be Your Man. Fora isso, os Stones nunca tiveram a diversidade musical como uma marca registrada, sua maior característica sempre foi um rock calcado no blues, é com esse estilo que eles sobrevivem até hoje. Mas então qual é a banda que rivaliza de verdade com os Beatles? Resposta: a banda da família Wilson, os americanos The Beach Boys.

Os Beach Boys, formados por Mike Love, Carl Wilson, Al Jardine, Dennis Wilson e pelo gênio Brian Wilson, tiveram álbuns revolucionários, shows memoráveis, evolução musical álbum após álbum e amadurecimento artístico, apesar de não terem tido o sucesso comercial que os Stones tiveram, muito pelos problemas que os americanos tiveram desde o final dos anos 70.

Brian Wilson, o gênio criativo e “dono da bola”, liderou os garotos enquanto pôde durante a competição velada de quem fazia o melhor álbum dos anos 60 entre Beatles e Beach Boys, ambos em seus respectivos auges criativos. A obra prima Pet Sounds é reconhecida como um dos maiores álbuns já gravados em todos os tempos. Mas mesmo os primeiros discos, onde eles cantam sobre as praias, o surf e o amor adolescente, são de ótima qualidade. Clássicos dessa época como Surf In USA, Barbara Ann, Surfin Safari e Fun Fun Fun são totalmente comparáveis aos clássicos dos primeiros discos dos Beatles. Porém o grande diferencial são as perfeitas harmonias vocais dos americanos, que seriam a maior influencia deles nos Beatles.

Paul McCartney e Brian Wilson duelaram durante alguns álbuns, tentando levar suas respectivas bandas a superarem umas às outras em termos criativos, técnicos e de vanguarda. The Beach Boys Today! de 1964, é a base para a criação de Rubber Soul dos Beatles, onde ambos discos mostram as bandas saindo de sua zona de conforto e começando a experimentar novas possibilidades em estúdio. Rubber Soul e Revolver são as inspirações para o genial Pet Sounds dos Beach Boys. Para Paul McCartney, que na época liderava com mão de ferro os Beatles, o disco dos Beach Boys é o melhor disco já gravado que ele já ouviu, e foi aí que ele se propôs a mudar de patamar essa competição e capitaneou as gravações de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Brian Wilson, sabendo que os Beatles estavam em estúdio para superar seu Pet Sounds, já preparava também sua contra-ofensiva, uma resposta ao Sgt. Peppers mesmo antes do lançamento do mesmo: o disco Smile. A amostra desse trabalho foi o single e clássico Good Vibrations que deixou o mundo da música mais ansioso ainda pelo disco.

Mas a vida de Brian Wilson, que já estava afastado das apresentações ao vivo, enfurnado no estúdio, abusando de drogas e compondo e criando Smile, ao ouvir a obra prima do Beatles sucumbiu e disse “ninguém pode fazer nada melhor do que isso, pra mim, já deu!”.  O resultado foi um colapso nervoso, o abandono do projeto em criação pela metade e o um diagnóstico de esquizofrenia. O disco foi finalizado somente em 2004 como um álbum solo de Wilson e mesmo depois de quase 40 anos, o disco mostrava a evolução dos Beach Boys como uma banda adulta e criativa. Um disco que, se não fosse superar Sgt Peppers, certamente estaria entre um dos clássicos dos anos 60.

O que veio depois da desistência do disco Smile foram muito mais derrotas do que vitórias para os americanos: afastamento de Brian Wilson da música durante anos, a morte de Denis e Carl Wilson, brigas judiciais e Mike Love carregando o nome da banda em shows pelo mundo. A banda voltou ao estúdio com todos os integrantes vivos para celebrar os 50 anos em 2011, fazendo algumas poucas apresentações, que infelizmente não vieram ao Brasil, e logo se separaram novamente, ficando somente Mike Love como membro original.

Tive a oportunidade de assistir ao show deles aqui no Brasil em 2009 e me senti triste pelo descaso que os produtores brasileiros fizeram com eles. Houve uma péssima divulgação, ingressos a preços absurdos, uma data que não favorecia (show numa terça feira é complicado), entre outras coisas e o resultado foi uma casa que tinha no máximo 50% de sua capacidade de lotação. Mesmo assim, Mike Love fez valer cada centavo pago e fez o público viajar pelos anos 60, com seu carisma, uma banda de contratados competentes, e um show impecável para quem esperou uma vida para vê-los. Foi uma pena o tratamento dispensado a eles pelos produtores, a instituição Beach Boys, mesmo só tendo Mike Love em sua linha de frente, merecia muito mais. Afinal, somente eles conseguiram rivalizar com os Beatles.

Os brutos (como eu) também amam e porque eu gosto de sertanejo

Ao amigo roqueiro de plantão, pode falar a verdade: você ama odiar o Bon Jovi porque ele só canta baladas. Mas não minta pra mim, você dá aquele sorrisinho de maroto ouvindo In A Darkened Room do Skid Row, aumenta o som do rádio quando toca Patience do Guns n’Roses (inclusive assovia igual ao Axl) e chega a escorrer uma lágrima quando ouve Is This Love do Whitesnake.

Então porque a birra com quem canta sobre o amor? Eu sei que os meninos mais revoltadinhos, e me incluo nessa lista, ouvem Megadeth, Sex Pistols, Garotos Podres, Motorhead e  AC/DC, mas eu queria lembrar também que o Iron Maiden gravou balada, assim como Black Sabbath, Kiss, Metallica e os Ramones. Então abra seu coração heavy/punk e deixa o amor entrar.

Você já reparou na letra de More Than Words do Extreme ou de Can’t Stop Loving You do Van Halen? Fala a verdade, Chrystian & Ralf cantando Ausência ou Bruno & Marrone cantando Um Bom Perdedor são da mesma linhagem. A diferença é a perspectiva preconceituosa que nós, os rockers e donos da verdade, temos sobre o que feito aqui no Brasil.

Todas essas músicas falam de amor, com ótimos, com uma estrutura musical idêntica (baixo, bateria, guitarra/violão, teclado e voz), mas em hipótese alguma um cara que tem a discografia do Megadeth seria visto cantando uma música do Chitãozinho & Xororó, mesmo que gostasse, por medo de parecer ridículo. Para você amigo, tenho um conselho, largue a mão de ser xiita! Sabe por quê? Porque todo mundo já se apaixonou na vida ou levou um belo pé na bunda e tem todo o direito de curtir seus minutos de “mela-cueca/cornidão”, e o que eu estou propondo é que você que é ortodoxo tenha mais opções para ouvir um belo som de acordo com o momento da sua vida, pois música serve pra isso, pra gente usar de trilha sonora.

Sou colecionador de paixões e de pés na bunda e posso falar com propriedade, Bruno & Marrone Acústico e Matogrosso & Mathias Ao Vivo Convida são pepitas máximas para se ouvir bebendo uma bela garrafa da cachaça Moenda Nobre e suspirando/praguejando aquele amor, confie em mim: vale a pena!

Ouça novas possibilidades, outros estilos, obviamente desde que tenha qualidade. Ser xiita não vai te levar a nada, somente às mesmas músicas. Acredite em mim, eu já fui xiita-ortodoxo-grão-mestre nisso, mas aqui estou eu pregando a conciliação de estilos. Seja feliz ouvindo música, mesmo que seja música de corno.

Vá!

Paul McCartney vem fazer mais uma série de shows pelo Brasil agora em Novembro e você que não viu ainda o show dele tem a obrigação, eu disse OBRIGAÇÃO de ir vê-lo, seja em SP, em Vitória, na Lua, em Marte ou na Conchinchina! Eu tive a oportunidade de estar nas apresentações em São Paulo e em BH (depois eu faço o post sobre essa experiência de ter visto aquele show com meu pai) e acredite em mim, vale cada centavo, é uma experiência única. A minha dica para você que tem alguma dúvida é:
– se você ainda não viu, VÁ!
– se você já viu, VÁ novamente;
– é a inauguração do Allianz Parque, novíssimo estádio do Palmeiras, uma arena preparada para esse tipo de show, VÁ;
– se você está sem dívidas, tire o escorpião do bolso e tenha uma experiência musical que pode mudar sua vida, VÁ;
– se você está todo endividado, VÁ também, afinal de conta, uma dívida a mais não faz tanta diferença.

É o maior artista vivo do mundo, dê seu suado dinheirinho a ele, curta a emoção e magia de presenciar um pedaço da história vendo aquele senhor canhoto empunhar seu baixo Hoffner e enfileirar hits que você assovia desde sempre, é a trilha sonora da vida de gerações. Oportunidades como essas são únicas, pois com 72 primaveras, nunca se sabe se haverá uma outra chance de vê-lo.

Então… Vá!

Prêmio Multishow e a falta de inovação

Assisti dias atrás ao Prêmio Multishow 2014 e reparei nas premiações e em seus indicados, com vencedores como Luan Santana, Thiaguinho (artista da casa) e afins, comprovando a nova vocação do canal, que busca ser popular, atingindo o gosto do chamado “povão”, inclusive nos shows que rolaram na premiação, homenageando os anos 90. Exceção feita à banda Panamericana, que fez uma versão competente de Meninos e Meninas da Legião Urbana, e ao B Negão tocando Funk Até o Caroço (se você não conhece, vá procurar imediatamente, pois é funk antigo do bom, pra ouvir no volume máximo). Foram shows medianos, apesar das reuniões feitas por estilos: rock, pagode, funk, rap, mas com pouca inspiração e com artistas errando a letra das músicas que me deixaram com vergonha alheia, especialmente na homenagem aos Mamonas Assassinas.

Prêmios como esse e o finado VMB perderam totalmente o ar de novidade, de arriscar para conquistar, de fazer o público pensar. Os apresentadores, com a fórmula humorista + repórter/celebridade já se mostra um porto seguro para segurar a audiência durante a premiação. Mas o mais triste é a falta de inovação musical, seja apresentando bandas novas ao vivo ou com artistas consagrados saindo de sua zona de conforto, apresentando músicas novas. Nas premiações do final dos anos 90 e durante a primeira década de 2000 a MTV pedia para as bandas que, ao invés de tocarem seu sua “música de trabalho” atual, tocassem seu próximo single fazendo com isso um pré-lançamento. Isso trazia frescor às apresentações e causava certo desconforto na plateia, que esperava para ver seu artista favorito, mas ele tocava uma música que poucos ouviram. Lembro com carinho de ver O Rappa tocando O Que Sobrou do Céu, Nando Reis tocando Tão Diferente e os Racionais MC’s tocando Capítuo 4, Versículo 3.

As perguntas que ficam são: falta qualidade musical para inovar? É medo de fazer a plateia pensar para digerir a novidade? Ou a gravadora não permite mais novidades, tem que tocar a famosa “música de trabalho” e massificar? Não sei, para mim, um pouco de cada, o que me deixa cada vez mais triste.  Aguardemos as próximas premiações e se o mais do mesmo continuará dominando.